sexta-feira, julho 27, 2012
Quero sua escova junto à minha
Por Nathalia Moraes
Eu realmente não vejo problemas em querer ser solteiro invicto, viver no melhor estilo "livre, leve e solto", até me agrada. Ninguém tem de depender de uma outra pessoa para poder ser feliz e realizado. É importante que sinta-se bem com apenas sua própria companhia, para que então possa ser presença agradável para outras vidas. O que me preocupa é essa epidemia de corações solitários no domingo a noite, perdidos nessa selva de - corações - de pedra, desapegados e auto-suficientes. O tal do amor saiu de moda?
Para falar a verdade, eu admiro mesmo, são essas pessoas que se envolvem de verdade, que se jogam e mergulham de cabeça, sem se preocuparem com a profundidade da água. Depois de um tempo, parei de achar graça em quem vive com um pé atrás, com medo de se entregar e que não se permite viver. Gosto mesmo é de quem foge à regra, daqueles que se tornaram exceções, pessoas que ainda sentem vontade de dividir a vida com outras pessoas.
Sou do tipo que ainda se emociona com casamentos, mesmo que seja em filmes água com açúcar, que vibra quando uma paixão vira amor e que acha a coisa mais linda fotos de casal, bilhetinhos de amor e pés colados na hora de dormir. Já dizia Lulu Santos "talvez eu seja o último romântico..."
Seja como, onde e com quem for, para mim, o amor jamais entrará em extinção, não sairá de moda nunca. Alianças terão sempre um significado importante e juntar as escovas continua presente na minha lista de vontades.
Mesmo que pareça bobo, antigo e clichê, sonho em viver com você, em chamar de nossa a vida que teremos pela frente. Quero poder chegar em casa, na nossa casa, e te encontrar lá. Poder te contar sobre o meu dia, e ouvir como foi o seu, e achar esse momento simples, uma das delícias da vida.
Fecho os olhos e posso te encontrar nas coisinhas mais simples, como ver a novela depois de um dia cansativo, fazendo massagem nos seus pés, só para poder te ver bem. Poder acordar com você do meu lado e te dar bom dia cheio de beijos enquanto tento espantar sua preguiça em sair da cama. E te mostrar todos os dias, que você está livre para ir onde quiser, viver suas histórias, conhecer milhões de pessoas e lugares incríveis, mas que nada supera o prazer de chegar na nossa casa, deitar na nossa cama e ter os pés esquentados pelos meus.
Amor exige entrega, exige que deixemos o egoísmo de lado e o grande segredo da vida a dois, é conseguir o equilíbrio entre respeitar o espaço do outro, e amar dividir a vida com ele.
Quero sua escova junto à minha, e todo o conjunto que esse pequeno gesto traz consigo. Ser mais do que mulher, ser parceira, companheira, amiga e quem você vai se lembrar de procurar primeiro para contar qualquer novidade. Ser o colo que você quer correr, e o abraço que você desejar quando mais precisar.
Quero poder aprender a cada dia, um pouco mais com o seu jeitinho, e ver que estou conseguindo passar bons aprendizados. Porquê diferente de querer te mudar, minha vontade é de te transformar no melhor que você pode ser. Vibrar a cada conquista sua, e te ver sempre na minha torcida.
Quero que sejamos cúmplices na vida, amantes na cama e as melhores companhias para boas risadas. Que não falte nunca vontade de tentar mais uma vez, quando o mundo quiser desabar.
E por último, quero que estejamos sempre de mãos dadas, jamais por comodismo, mas sim por simplesmente acreditar que a vida pode ser melhor e mais feliz assim, com você do meu lado!
quinta-feira, julho 12, 2012
Quando ela apareceu de meias listradas
Por Nathalia Moraes
Sempre bem arrumada, de salto alto, cabelo escovado e maquiagem no ponto. Ela sabe onde colocar cada acessório para eu me orgulhar de desfilar com ela por aí. Sabe combinar cada tom, conhece seu corpo e consegue ficar cada vez mais linda. É incrível como o tempo que eu fico plantado esperando ela se arrumar, vale a pena, quando a vejo descer as escadas, esqueço de quantas mensagens tive de mandar para ela se apressar e do tempo que fiquei ali esperando.
Naquela noite ela estava ainda mais linda, como conseguia? Desfilei para cima e para baixo, com orgulho da mulher que estava do meu lado, arrancando olhares de quem passava, e era minha. Porém, ela mais uma vez me surpreendeu, foi no final daquela noite, com os pés cansados, que ela apareceu pela porta do quarto e veio ao meu encontro, que já estava deitado esperando. Tinha algo diferente, pela primeira vez ela não estava de camisola de seda, nem de calcinha rendada, não tinha nenhum vestígio de maquiagem, e o cabelo estava bagunçado com as marcas do grampo. De pijama quentinho e meias listradas, era a mulher mais linda que eu já tinha visto. Era ela, a minha mulher, da maneira mais nua que já vi, era ela, apenas ela.
Transparente e verdadeira, foi ali, naquele momento que ela se entregou para mim, de corpo e alma, muito além de qualquer noite de sexo intenso, ali ela se mostrou minha. Sem se esconder por trás de esteriótipos de beleza, sem vergonha de ser o que é, mostrando que também sabe ser linda sem esforço, é assim naturalmente. Sem medos, confiou em mim para abrir mão das convenções culturalmente impostas.
Foi ali que eu tive vontade de mais do que desfilar com ela pelas ruas da cidade, tive vontade de tê-la para dividir o resto da minha vida. Porque amor é isso, quando o outro permite que você conheça todas as faces do seu ser mais íntimo, e engana-se quem acredita que intimidade é fazer um strip de pernas pro alto, intimidade ultrapassa a linha do sexo, intimidade é ir para cama de meias listradas, deitar do seu lado e olhando nos seus olhos, mostrar o quão segura se sente ali, dividir muito mais que uma cama, dividir uma vida, te contar quem é, revelar algumas mentiras contadas, seus medos, e piores defeitos e ainda assim continuar sendo a pessoa que você quer naquele lugar.
É ela que eu quero, linda até de meias listradas.
terça-feira, junho 12, 2012
Não existe estado civil para o amor
Por Nathalia Moraes
"Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho..."
E assim vamos começando a celebrar o dia mais apaixonado do ano. Só me resta a dúvida: O amor continua mesmo sendo fundamental? Ainda há espaço para romances e "eu-te-amos"? Prefiro sempre acreditar que sim, que mesmo em meio a tanta correria e senso automático, frio e insensível, que mesmo na era do desapego obrigatório, ainda sim cabe um pouquinho de amor na vida de cada um.
Gosto de gente apaixonada, que vive amando e desenhando corações pelos cantos da folha, de gente que fala com brilho no olhar lembrando do sorriso do outro. Gente que transborda amor, sabe? Me encanta quem não tem vergonha de dizer, de mostrar de amar... Amar o amor, amar sentir o que se sente quando se ama. Nenhum outro brilho no olhar consegue igualar-se ao de um ser apaixonado, quando esquece da idade que tem e te olha com aqueles olhos de criança admirando a história que se ouve.
Tenho medo daqueles que não amam, que não se permitem, ou que endureceram com o tempo, com a pressa, com a dor... Medo do esquecimento, que esqueçam o quão bom é acordar e sentir-se aliviado por ter mais alguém ali com você, dividindo a cama. Medo de acabar essa história de amar, e perder-se nos cantos da vida a inspiração para as músicas que falam de amor, ligar o rádio e não ouvir mais "amor i love you" da Marisa, não ouvir mais o coro dos apaixonados acompanhando Lulu em "toda forma de amor", tampouco ouvir alguém cantar de braços abertos e olhos fechados que não quer dinheiro, e só quer amar, medo de não ver mais nenhuma lágrima rolando em algum rosto com Bebel e Cazuza declamando "eu preciso dizer que te amo". Medo que se acabe a imaginação para os romances, que não existam mais Julietas, Capitus e Helenas.
O que é que eu vou contar para os meus filhos desse tal de amor? E meus netos, saberão que ele existiu? Entrou em extinção junto aos ursos polares, ou continuará vivo enquanto eu tento explicar que só se entende sentindo? Suspirando ah, o amor...
Ainda prefiro acreditar que continuamos amando, que ainda nos apaixonamos verdadeiramente por sorrisos e passadas de mão no cabelo sem encontrar os porquês para conseguir explicar, por mais bobo que pareça ser, ainda prefiro acreditar que continuamos amando, mesmo com todos os obstáculos e armadilhas que nós mesmos colocamos. Vou tentar seguir acreditando que um amorzinho ao pé do ouvido vale mais que a competição das dezessete naquela balada. Não é possível que seremos tão burros a ponto de trocar um bom dia com um chameguinho, por várias bundas diferentes na semana no nosso lençol. Me digam se vamos mesmo preferir ver a fila girar à aceitar o desafio delicioso de descobrir a cada dia um pedacinho diferente de pele arrepiando, porquê se me disserem que sim, eu prefiro ficar por aqui. Me recuso a ver mais beleza em pencas do que saborear com cuidado um único sabor. Eu quero é amar.
Admiro aqueles que ainda acreditam nisso, assim como eu, que ainda acreditam que não há modernidade que os faça desapegar do coração - e pés - quentinhos. Quero cada vez mais a breguisse do amor, os mimimis dos apaixonados, casais de mãos dadas e todas essas firulas que o amor acompanha. Não quero ter de ouvir que amar saiu de moda, quero os grandes romances na vida real e sim, poder chorar com as comédias românticas mais água com açúcar do cinema, quero pessoas apaixonadas, contando lindas histórias de amor. Chega dessa besteira de fingir que ele não está mais entre nós, deixa o amor entrar.
Esqueçam o título que criaram, mais uma vez, rotularam aquilo que não exige rótulos, o dia hoje é do amor, não dos namorados. Se não os noivos e casados não os comemoraríam, esqueçam a data simbólica que criaram para vender mais corações de pelúcia, flores e cestas de chocolate. Esqueçam o que infiltraram nas nossas cabeças e apenas celebrem o amor, porque amar não significa estar namorando, ou qualquer outro título que se dê, não existe estado civil para o amor. Apenas ame. Porque o amor sim é fundamental, o resto é apenas uma criação por interesse de alguém. Vamos usar esse dia tão apaixonado para distribuir amor, para dizer que ama, para tirar essa máscara e essa armadura, colocar uma daquelas músicas bem breguinhas mas que todo mundo adora cantar e sentir que está tudo bem, está tudo bem em amar. Que o amor é sim lindo, mesmo piegas, e que ele ainda vale a pena, hoje ou amanhã.
Feliz dia do Amor, dia dos apaixonados pelo amor, dia daqueles que amam livremente, sem correntes!
quinta-feira, maio 24, 2012
Carta de despedida
Por Nathalia Moraes
Pequena,
nem tudo acontece como planejamos, sei que combinamos aproveitar esse friozinho para aquecer os pés juntos no final de semana e estrear o jogo de cobertas que sua mãe deu. Também não esqueci do vinho que prometi tomar com você, enquanto assistimos seu dvd novo do Chico Buarque.
Mas a vida tem dessas, vivemos programando o futuro e derrepente ele chega e muda tudo. Não pense que não gosto mais de você, ou que não me importo com nós, nem fique achando que nossa última discussão tem a ver com isso. Apenas não tive escolha, tampouco pude evitar, precisei ir e te deixar aí, sozinha, sem tempo ao menos para um beijo de despedida.
Peço que não sofra, sinta saudade, mas não sofra. A vida tem dessas, pequena. Coloque o Chico para cantar e te fazer companhia, ele sempre tem algo para cantarolar, que caiba nos seus dias. Ouça o que ele diz. Faça uma cama bem quentinha com o cobertor novo. Vi que além do frio, vem chuva brava à noite, não se esqueça de fechar bem as janelas e conferir se trancou o portão. Coloque as meias listradas até o joelho, você fica linda mesmo com elas. Aproveite para descansar e dormir com esse barulhinho que você tanto gosta.
Não esqueça de dar comida para o Linguado, e se não for pedir muito, troque a água do aquário na sexta. Vê se não inventa aquela sua péssima mania de parar de comer quando fica triste. Te quero bem.
Ah! Pensei no que você me disse sobre a vida, e nem tive tempo de te contar. Sabe, pequena, você tem razão, o problema não é confiar de mais, o problema é mesmo ser confiante de menos. Mas mesmo assim, mantenha os olhos bem abertos, o nariz para o horizonte, e quanto aos ouvidos e boca, lembre-se que foram feitos para usarmos na mesma proporção.
Aproveite para marcar aquele japa que você e sua amiga estão adiando há semanas, abriu um ótimo ali na Avenida Brasil. Vá ao shopping também, compre um sapato e aquele perfume que você me disse. Não vá ficar alojada na sala. Vá se divertir.
São só dez dias. Passa rápido, você vai ver. Domingo eu tô de volta e devo chegar por volta das 17 horas, mas confirmo com você. Sim, eu tentei te ligar, mas pra variar seu celular está desligado, vê se não esquece de carregá-lo.
Eles me ligaram antecipando a viagem pra hoje com urgência máxima, muito trabalho. Só tive tempo de passar em casa, colocar meia dúzia de roupas na mala e te escrever essa carta. Consegui comprar aquele sonho de doce de leite que você ama, da padaria lá perto do trabalho, tá na geladeira. E essa flor, bem, essa eu apanhei do jardim do vizinho mesmo, mas foi com amor!
Espera que domingo tô voltando, qualquer coisa me liga, e se der, você bem que podia preparar aquele risoto de queijo que só você sabe fazer, né?! Colocar o vinho pra gelar e deixar o Chico no ponto da agulha. Quero abrir essa porta e te ver linda pulando no meu colo, me abraçando forte, e me beijando como se eu estivesse há anos longe.
Fique bem e se cuide, já que não estarei aí esses dias para te cuidar. E ah, tenho você comigo, sorrindo, linda e de flor nos cabelos. Tô levando aquela sua foto que eu sou apaixonado, na carteira.
Ps.: Me perdoe pelo susto. Posso imaginar sua cara de ódio e alívio rs. Tira esse franzido da testa e deixa essa covinha moldurar seu sorriso. Você sabe o homem que tem, não resisti a brincadeira. Quando eu voltar você me bate, sua boba!
Te amo e te quero todos os dias, longe ou perto, Pequena.
sexta-feira, maio 18, 2012
Perder-se na correria
Por Nathalia Moraes
Demorei a perceber
Aquilo que não percebia
Os olhos estavam fechados,
Já nem viam o dia que nascia.
Meus pés esqueceram o toque da areia
O vento sopra meu rosto e eu nem percebo
Deixei de sorrir para cada criança que passa
Não acordo cantarolando o velho samba enredo.
Não tenho mais tempo para nada,
O relógio gira depressa,
Sinto-me numa corrida sem freio
Sem ter o que me impeça.
A cidade não para nunca
Deixei o brilho se apagar
Os prédios quase tampam o céu azul
E eu já nem sonho mais em voar.
Esqueci os nomes dos super-heróis
Os desenhos não têm mais aquarela
Perdida no meio dos números
Não reparei o sol batendo na janela.
Chocolate quente, bolo da vovó, pastel na feira
Cobertura de morango, fruta no pé, maçã do amor
Só me restou um almoço vazio
Em frente ao computador.
Tom, Chico e Vinícius
Elis, Tim e Caetano
Gil, Cartola e Cazuza
E eu só ouço o celular chamando.
A Lua ficou cheia de novo
E eu se quer a cumprimentei
Pedidos não são mais feitos às estrelas
E eu só lembro dos e-mails que enviei.
Falta bom dia no elevador,
Beijo sem pressa quando chegar
Falta sorrir sem motivo algum
Levar o cachorro para passear.
O cinza da cidade cimentou minha sensibilidade
Paralisou meus sentidos em meio a correria
E pelos semáforos de cada avenida
Fui deixando pedaços de mim, restando apenas nostalgia.
quarta-feira, maio 16, 2012
Ouvi dizer sobre as maçãs do topo
Por Nathalia Moraes
Ouvi dizer sobre as maçãs do topo
Há quem diga que são as melhores
Há quem diga que são dos mais corajosos
Há quem diga que são descontentes com as de baixo.
Assis me desculpe, mas ei de discordar
Encanta-me as que logo ali estão.
Parecem atirar-se aos meus olhos
Querendo que eu as veja.
Vermelhas e brilhantes
Maduras, no ponto e prontas
Prontas para serem saboreadas
Pois sabem do sabor que têm.
Não precisam no topo estar
Sabem que quem as colhem
Com o paladar agradado estará
Certas do gosto que têm.
Perdi o encanto pelas alturas
Que são escolhidas por estarem ali
Não porque brilham aos olhos,
Daqueles que olham-nas como são.
Talvez se mais para baixo estivessem
Teriam suas manchas mais vistas
O lado que não quererm mostrar
Que não se vê olhando de baixo para cima.
Se quero uma maçã
Quero pela fruta que és
Não pelo topo que esconde-se
Nem pela dificuldade em alcançá-la.
Escolho as que me aguçam os sentidos
Aquelas que posso tocar, ver e sentir
Que sabem das imperfeições que carregam
E ainda assim, matém-se frente aos meus olhos.
Mostram-se sem medo
Pois sabem que até suas manchas encantam
Quando não se tem vergonha do que és
São somente o que são, sem medo de ser.
Se não forem apanhadas um dia
A altura que estavam, poupa a dor do impacto
Caem com leveza, ainda inteiras
Sem perder a beleza ao tocar o chão.
Já as maçãs que estavam no topo
Chegam ao chão em vários pedaços
E os olhares curiosos que tentavam alcançá-las
Já não as notam onde agora estão, não sabem quem são.
Hoje eu desejo um amor facinho para mim
Por Nathalia Moraes
De todas as teorias e regras criadas nessa vida, a que mais me intriga é aquela em que diz que só damos valor àquilo que é difícil. Há quem acredite que para algo ser bom, devemos lutar para conseguir, deseja-se que haja esforço para que valha a pena e que tudo que nos vem facilmente, vai embora da mesma maneira. Acredita-se ainda, que essa regrinha é cabível em tudo que fazemos, seja no trabalho, no esporte, na escola e até mesmo nos relacionamentos amorosos - só esquecemos que nesse último caso, regras não sã bem vindas.
Essa teoria nos faz classificar as pessoas a nossa volta, se a mulher demonstra que está interessada, não fica acomodada esperando que o cara vá até ela, se ela responde aos sinais, sem colocar barreiras no meio do caminho é uma mulher fácil. Se fosse boa, não me daria esse mole. Se o cara decide deixar a casca dura de lado e dispensa os joguinhos de orgulho na conquista, se ele fica atrás, pronto, perde-se a graça. Porque vivemos querendo aquilo que não temos?
Fomos treinados ao combate, a nos sacrificar para conseguir aquilo que se deseja. Vivemos numa sociedade que preza o suor, que enaltece aqueles que sofrem antes de alcançar seus objetivos. E quando o assunto é a vida afetiva, agimos como se houvesse a necessidade de exibir nossas conquistas no jantar da família, de mostrar aos amigos os troféus expostos nas prateleiras. Só falta andarmos com uma medalha de "honra ao mérito" pendurada no peito. Porque lutamos e vencemos. Exaltamos o que nos causa inquietude e por muitas vezes, até o sofrimento.
É daí que vem a minha discordância sobre o tema e me sobram questionamentos: o quanto devemos insistir em obter respostas recíprocas de pessoas que pouco demonstram interesse em retribuir os nossos sentimentos? O que de tão vitorioso tem, em dedicar-se a alguém que aparentemente, pouco importa-se conosco?
Enxergar o amor como um campo de guerra, ou um caminho cheio de obstáculos, e só conseguir visualizar um final feliz assim, soa masoquista demais aos meus ouvidos. Optar pelo caminho mais esburacado, pelo simples fato de ter buracos, ao invés de seguir por uma estrada branda e plena não me parece a escolha mais sábia.
E posso explicar, a culpa está nessa mania que temos em querer premeditar as coisas, em boicotar algo que poderia acontecer naturalmente, é tentar prever como o outro vai reagir se fizermos assim ou assado, e acabar se perdendo no meio do caminho. Jogamos fora grandes chances de conhecer pessoas incríveis, simplesmente por estarem visivelmente interessadas, ou por querer criar um obstáculo desnecessário no meio do natural.
Sempre vou preferir pessoas de verdade, sem vergonha de ser o que são, pessoas que não esquematizam o que devem falar ou como devem agir, aqueles que demonstram sem medo o que sentem e o que querem. Clareza nos gestos, nas palavras e nas atitudes. Posso estar enganada, mas essas são características facilmente encontradas naqueles que possivelmente, classificaríamos como fácil e acabaríamos dispensando. Não parece infantil demais?
O risco que se corre em admirar tanto o difícil, é acabar transformando aquele interesse inicial em orgulho de amor próprio em demasia. Como se fosse questão de honra transformar um não em sim, e aí meus caros, deixa de ser sentimento puro, distancia-se do que é o amor, a motivação que você encontra em continuar insistindo naquilo, deixa de ser interesse pela pessoa, e temos então, alguém interessado apenas pela dificuldade. Muitas vezes até, escalando um muro que mal sabe-se o que tem do outro lado, quebrando a cara ao perceber que não era tudo aquilo que imaginara.
Além do que, aquela história de vencer pelo cansaço não me agrada nem um pouquinho, acredito que seja complicado começar algo que seja bom, porque cansou da situação anterior. É dar mais valor ao processo do que ao resultado. Quando pouco deveria importar quem sorriu primeiro para quem. Porque o valor de algo parece atrelado muito mais ao quanto você precisou sofrer para conseguir do que a qualquer medida de qualidade que seja inerente ao objeto.
Já o amor fácil, por outro lado, não tem preço, é amor de graça. Não há outro interesse que não seja apenas o amar. A pessoa simplesmente gosta de você, sente aquilo e sorri, e te diz, e demonstra. Recebe-se amor puro, é ser gostado por aquilo que se é, você não precisou fazer propaganda de si, não precisou preocupar-se em dizer ou agir de alguma maneira que cause interesse no outro, ele simplesmente se interessou, sem que você precisasse inventar histórias, ou rastejar-se, muito menos vencê-lo pelo cansaço. Ele está ali por vontade de estar, apenas por te querer, facinho para que você aproxime-se e permita-se conhecê-lo - sem julgar ou classificar - ele te espera e te recebe de braços abertos. Os amores facinhos são assim, leves e naturais. Nenhum dos lados estão cansados, pelo contrário, estão dispostos e cheios de vontade de dedicar-se, podendo tornar o caminho bem mais gostoso e apaixonante. Existe beleza, verdade e entrega; e para mim, isso sim tem valor.
Afinal, o que pode ser melhor que ser amado e desejado por aquilo que se é - sem enrolação e truques de joguinhos de sedução? Para quê dificultar o que podemos viver de forma simples e tranquila? Fico me perguntando qual o prazer que se tem em perder tempo de ser feliz vivendo lindas histórias com outras pessoas? Qual é a graça em adiar o que, talvez possa ser o melhor beijo e até quem sabe, o encontro do amor da sua vida?
Para terminar, vale a pena parafrasear Shakespeare quando percebeu que: "Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor". E assim vou terminando, e o que eu desejo hoje, é um amor bem facinho para mim.
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