quarta-feira, maio 16, 2012

Hoje eu desejo um amor facinho para mim


Por Nathalia Moraes



      De todas as teorias e regras criadas nessa vida, a que mais me intriga é aquela em que diz que só damos valor àquilo que é difícil. Há quem acredite que para algo ser bom, devemos lutar para conseguir, deseja-se que haja esforço para que valha a pena e que tudo que nos vem facilmente, vai embora da mesma maneira. Acredita-se ainda, que essa regrinha é cabível em tudo que fazemos, seja no trabalho, no esporte, na escola e até mesmo nos relacionamentos amorosos - só esquecemos que nesse último caso, regras não sã bem vindas. 
       Essa teoria nos faz classificar as pessoas a nossa volta, se a mulher demonstra que está interessada, não fica acomodada esperando que o cara vá até ela, se ela responde aos sinais, sem colocar barreiras no meio do caminho é uma mulher fácil. Se fosse boa, não me daria esse mole. Se o cara decide deixar a casca dura de lado e dispensa os joguinhos de orgulho na conquista, se ele fica atrás, pronto, perde-se a graça. Porque vivemos querendo aquilo que não temos? 
       Fomos treinados ao combate, a nos sacrificar para conseguir aquilo que se deseja. Vivemos numa sociedade que preza o suor, que enaltece aqueles que sofrem antes de alcançar seus objetivos. E quando o assunto é a vida afetiva, agimos como se houvesse a necessidade de exibir nossas conquistas no jantar da família, de mostrar aos amigos os troféus expostos nas prateleiras. Só falta andarmos com uma medalha de "honra ao mérito" pendurada no peito. Porque lutamos e vencemos. Exaltamos o que nos causa inquietude e por muitas vezes, até o sofrimento.
       É daí que vem a minha discordância sobre o tema e me sobram questionamentos: o quanto devemos insistir em obter respostas recíprocas de pessoas que pouco demonstram interesse em retribuir os nossos sentimentos? O que de tão vitorioso tem, em dedicar-se a alguém que aparentemente, pouco importa-se conosco?
       Enxergar o amor como um campo de guerra, ou um caminho cheio de obstáculos, e só conseguir visualizar um final feliz assim, soa masoquista demais aos meus ouvidos. Optar pelo caminho mais esburacado, pelo simples fato de ter buracos, ao invés de seguir por uma estrada branda e plena não me parece a escolha mais sábia. 
       E posso explicar, a culpa está nessa mania que temos em querer premeditar as coisas, em boicotar algo que poderia acontecer naturalmente, é tentar prever como o outro vai reagir se fizermos assim ou assado, e acabar se perdendo no meio do caminho. Jogamos fora grandes chances de conhecer pessoas incríveis, simplesmente por estarem visivelmente interessadas, ou por querer criar um obstáculo desnecessário no meio do natural. 
       Sempre vou preferir pessoas de verdade, sem vergonha de ser o que são, pessoas que não esquematizam o que devem falar ou como devem agir, aqueles que demonstram sem medo o que sentem e o que querem. Clareza nos gestos, nas palavras e nas atitudes. Posso estar enganada, mas essas são características facilmente encontradas naqueles que possivelmente, classificaríamos como fácil e acabaríamos dispensando. Não parece infantil demais?
       O risco que se corre em admirar tanto o difícil, é acabar transformando aquele interesse inicial em orgulho de amor próprio em demasia. Como se fosse questão de honra transformar um não em sim,  e aí meus caros, deixa de ser sentimento puro, distancia-se do que é o amor, a motivação que você encontra em continuar insistindo naquilo, deixa de ser interesse pela pessoa, e temos então, alguém interessado apenas pela dificuldade. Muitas vezes até, escalando um muro que mal sabe-se o que tem do outro lado, quebrando a cara ao perceber que não era tudo aquilo que imaginara. 
       Além do que, aquela história de vencer pelo cansaço não me agrada nem um pouquinho, acredito que seja complicado começar algo que seja bom, porque cansou da situação anterior. É dar mais valor ao processo do que ao resultado. Quando pouco deveria importar quem sorriu primeiro para quem. Porque o valor de algo parece atrelado muito mais ao quanto você precisou sofrer para conseguir do que a qualquer medida de qualidade que seja inerente ao objeto.
       Já o amor fácil, por outro lado, não tem preço, é amor de graça. Não há outro interesse que não seja apenas o amar. A pessoa simplesmente gosta de você, sente aquilo e sorri, e te diz, e demonstra. Recebe-se amor puro, é ser gostado por aquilo que se é, você não precisou fazer propaganda de si, não precisou preocupar-se em dizer ou agir de alguma maneira que cause interesse no outro, ele simplesmente se interessou, sem que você precisasse inventar histórias, ou rastejar-se, muito menos vencê-lo pelo cansaço. Ele está ali por vontade de estar, apenas por te querer, facinho para que você aproxime-se e permita-se conhecê-lo - sem julgar ou classificar - ele te espera e te recebe de braços abertos. Os amores facinhos são assim, leves e naturais. Nenhum dos lados estão cansados, pelo contrário, estão dispostos e cheios de vontade de dedicar-se, podendo tornar o caminho bem mais gostoso e apaixonante. Existe beleza, verdade e entrega; e para mim, isso sim tem valor. 
         Afinal, o que pode ser melhor que ser amado e desejado por aquilo que se é - sem enrolação e truques de joguinhos de sedução? Para quê dificultar o que podemos viver de forma simples e tranquila? Fico me perguntando qual o prazer que se tem em perder tempo de ser feliz vivendo lindas histórias com outras pessoas? Qual é a graça em adiar o que, talvez possa ser o melhor beijo e até quem sabe, o encontro do amor da sua vida? 
         Para terminar, vale a pena parafrasear Shakespeare quando percebeu que: "Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor". E assim vou terminando, e o que eu desejo hoje, é um amor bem facinho para mim. 
       
       
       

        
       
       
       



sexta-feira, maio 11, 2012

Na sua casa ou na minha?


Por Nathalia Moraes

    Problemas com o cheque especial, e uma manhã inteira de estresse no banco... Situação perfeita para uma segunda-feira, não? Pois bem, foi assim que a minha começou, porém, em meio a tanto mau humor, fui surpreendida. E surpresas boas são essas que acontecem nessas segundas que a gente nem espera mesmo. 
    O gerente do banco estava de férias, e um outro funcionário estava substituindo. Engraçado que já tinha o visto por lá, mas nunca reparado direito, o que acabou sendo impossível evitar ali, sentada frente a ele. Além de uma graça, o rapaz ainda era bem simpático e conseguiu até me fazer rir, mesmo irritada. 
    Entre um cadastro e outro, conseguimos falar até sobre as propagandas mais marcantes da tv. Quando ele, finalmente resolveu minha situação, senti até pena de ir embora e interromper nosso papo, mas para minha surpresa, ele se arriscou em me ligar assim que pisei fora do banco. Ok que pode não ser muito profissional, mas adorei a ideia de continuarmos a conversa fora daquele ar condicionado. 
    E foi naquela segunda-feira mesmo, fomos para um bar discutir nossas filosofias malucas durante mais algumas horas, acompanhados de uma cervejinha, boas risadas, mãos que se encontravam "sem querer" sobre a mesa até encerrar o papo com o "melhor ir embora". 
    Me deixou em frente a minha casa, mas quem disse que consegui escapar do beijo de despedida, que foi se transformando em mãos, bocas, e corpos colados? Dois adultos trancado num carro com os vidros embaçados e muito calor, até ele me perguntar: "Na sua casa ou na minha?"
   Bom, se me permitem uma pausa... Já vou avisando que se você já está torcendo o nariz e pensando mal da mocinha da história, é melhor parar de ler aqui e voltar em outro texto. Cabecinhas fechadas nesse não!
   Continuemos...
   Quando ele me perguntou pra qual casa ir, foi como se todos os meus sinais de bom senso tivessem sido ativados, e disparado uma sirene, fazendo com que eu me afastasse da sua respiração ofegante e em fração de segundos entrasse em uma discussão interna entre o famoso e imortal tema "dar ou não dar". 
   Antes de encontrar a melhor opção, é preciso livrar-nos de qualquer pré-conceito barato e o que aprendemos na cartilha de "moça pra casar" da vovó, e prestarmos atenção no que de fato tem importância nessa decisão. 
   Temos duas opções aí, uma é seguir os bons modos e encerrar a noite ali mesmo, deixá-lo ir embora e dormir na vontade, esperando que ele ligue no dia seguinte, afinal, você se comportou e ele deverá levar isso em consideração - ou não, ou talvez ele te procure sim, mas só até você ceder, e depois esqueça seu número perdido entre tantos.
   A segunda opção é ser fiel a sua vontade e escolher para qual casa devem seguir, ter uma noite incrível e saber que se ele te procurar depois, foi porque ele quis repetir a dose, seja do bom papo, das risadas ou porque não da cama?! 
   O importante é entender, que ir ou não aos finalmente, na primeira vez, é estatisticamente irrelevante para o suposto futuro de uma suposta relação. Essa noite pode ser apenas uma noite, encerrada com chave de ouro. Como pode ser só o começo de uma vida juntos - como já vi em tantos casos. Isso vai depender mais da intimidade que se criou ao entregar-se a um "pseudo-conhecido", desde o primeiro toque, de como os olhos se encontram, de como a pele arrepia, do quanto vocês pareciam íntimos em tão pouco tempo, que do julgamento de falsa moral do parceiro.
  Claro que não estou dizendo que é para sair por aí distribuindo, que tudo bem. Bom senso está aí para ser usado, né? Existe sim, a possibilidade de se decepcionar, ou acabar sendo assunto de uma rodinha de meninos, mas também existe a chance, de que, não sendo um babaca infantil, essa decisão seja vista com bons olhos, e que o rapaz sinta-se especialmente irresistível (sem orgulho barato), o que pode ser imensamente sedutor, se a mulher souber tratá-lo com um carinho notável, e se o rapaz souber reconhecer à altura. Afinal, quem não gosta de sentir-se único e especial? Mesmo que só por aquele momento.
   O que falta entender, é que essa primeira fase, é eliminatória para os dois, não só para o homem, como é sempre colocado. Algumas coisas nos provocam a vontade de repetir, ou não. Excluindo qualquer tipo de julgamento canalha ou imaturo. Se o fato de não privar-se de uma vontade que se tem, fizer com que o cara te olhe com maus olhos, e isso for um motivo relevante para que ele ache que você não é para ele, então ele, com essa ideia machista e conservadora, tampouco servirá para você. 
   Concluímos de uma vez por todas então, que pouco tem a ver, o tempo que se conhecem, o que importa realmente, é a vontade de ambos. Nem sempre sente-se tão a vontade com alguém que você conhece há anos, como com alguém que você conheceu naquela manhã. 
   A noite terminara ali, nem na minha casa, nem na dele, mas nem de longe pelo motivo de ser certo ou errado, simplesmente por não estar preparada aquele dia. O que não me impede de dar uma passadinha no banco no final da semana e convidá-lo para uma saidinha  com direito à uma esticada na minha casa ou na dele.
   
   
   
  
   
   
   
   
   
   
   
   
    




terça-feira, maio 01, 2012

Mantenha as janelas sempre abertas


Por Nathalia Moraes


   Se eu já estivesse com os pés lá nos meus oitenta e poucos anos de cabelo branco e muita experiência por de trás das rugas, e já me permitisse sair por aí, distribuindo conselhos e sabedoria, minha primeira dica aos casais seria essa, mantenha as janelas sempre abertas. 
     Imaginemos a construção de uma casa, tijolos sendo posicionados e firmados um a um, e assim as paredes sendo erguidas, até conseguirmos ver a casa se formando. O mesmo acontece nos relacionamentos, que são construídos diariamente, até que se firme. 
    O que acontece é que nos posicionamos no interior da casa para erguer essas paredes, e então, quando elas estão altas o suficiente para que possamos nos sentir seguros e quentinhos lá dentro, nos contentamos em olhar o que acontece do lado de fora, apenas por uma frestinha da janela, que com o tempo vai fechando. 
    Mas também, quem é que se importa com todo o resto, quando apenas duas pessoas se completam? Lá dentro não falta nada, lá tem tudo que se precisa, tem amor, tem afeto, tem a segurança de não se sentir sozinho nunca, tem olhar sem desvio, tem uma vida sendo descoberta e desenhada a quatro mãos, tem beijos, abraços e sexo com sentimento. A respiração, o cheiro e o som do outro basta. Isso é maravilhoso, então o que mais podemos querer? 
    Fantasiando romanticamente (e até demasiadamente doce) a visão de dois corpos apaixonados, seria esse o cenário tão sonhado, cenário perfeito onde só tem espaço para nós, nosso amor, nosso presente e futuro. De vez em quando nos permitimos aparecer na janela para compartilhar da nossa felicidade tão íntima e particular, com o mundo lá fora. Como um sinal de quem diz: "Ainda não morremos de amor". 
    Imagino que se continuássemos ali sentados, esperando para ver o que acontece com os casais dos romances água-com-açúcar, depois do "the end", depois que as letrinhas sobem e eles vão viver felizes para sempre, suspeito que seria mais ou menos assim. E poderíamos até desejar uma vida assim para os nossos romances. 
    Mas será que seria, de fato, o mais sábio a se querer? 
    Deixando um pouquinho a "cinderelice" de lado, analisemos com uma outra visão, é realmente tentador e até tendencioso que nos fechemos para o mundo, quando nos vemos apaixonados e felizes na relação, acho que podemos considerar até natural que se crie uma sutil faixa de isolamento entre o casal e todo o resto. 
    O perigo mora exatamente nessa linha tênue, entre o aceitável e o asfixiante. Sim, porquê essa fina camada tende a se transformar em paredes com janelas fechadas, com o passar do tempo. O início se dá, quando começamos a fechar a janela sem perceber, primeiro as janelas do fundo, perdendo o contato com aqueles amigos mais distantes, que quase já não se via mesmo, depois as janelas das laterais, começamos a dispensar as pessoas que costumávamos sair para gastar boas horas de risada, filosofia de bar e trocas inestimáveis de experiência, que tanto nos enriqueceram um dia. Por fim, fechamos a janela principal, aquela que recebia a luz do sol batendo direto, quando estamos sempre ocupados demais para as pessoas mais próximas, justamente aquelas que se fizeram sempre presentes, dedicados ombros, ouvidos e colos jamais negados.
     Eis que sem perceber, estamos isolados, trancafiados na nossa vidinha a dois, mas o que esqueceram de avisar é que não há amor, criatividade ou boa vontade que impeça a aproximação da rotina desgastante. São dois seres fechados em um ambiente que não se renova, não surpreende, alimenta-se de uma única troca, eu me transformo em você, você em mim, e o crescimento pessoal se perde em meio a tanto egoísmo. Não há espaço ou inspiração para desenvolver sua potencialidade. Perde-se então, um bem chamado individualidade. Já não entra mais luz, nem vento.
     É preciso, primeiramente, entender que um casal é formado por dois seres, que independente do estado civil, continuam precisando de raízes firmes, que fortificam-se ainda mais nas reuniões em família (cada qual com a sua), continuam precisando dos laços de amizade, daquele tempinho revigorante com os amigos, precisam de mais trocas, do convívio com pessoas diferentes. Relações que já existiam devem ser mantidas, assim como novas devem ser criadas, pelo simples fato de ser saudável assim. Precisam do contato com o mundo, participar da vida como um todo e acima de tudo, manter e desenvolver a individualidade, como pessoas únicas que são. Só assim, é possível enriquecer e simultaneamente tornar a relação rica.
     Tenho a sensação de que isso acontece quando as partes envolvidas ainda não se encontraram singularmente, então acabam depositando expectativas de felicidade em relações afetivas, tornando um ao outro, a parte mais importante de si. O que tende a colocar o relacionamento em uma bolha, separada do mundo. 
      Mas, acredito que não seja a melhor escolha a se tomar, e explico, certamente todos já ouvimos dizer que o amor não é exato, mesmo que muitas vezes tentemos desfazer essa teoria com as nossas certezas de amor eterno, relações são incertas. Querendo ou não, uma hora ou outra a casa pode, literalmente, cair. E quando as paredes vierem ao chão, teremos duas pessoas assustadas, sozinhas, perdidas em um mundo que tinha deixado de pertencer a elas, que se sentem inseguras e vazias, sem as mãos do outro para segurar. Sendo obrigadas a se redescobrirem, a reaprender a lidar com a vida, tentar refazer e recuperar laços desfeitos. 
     E não é fácil sentir-se assim, portanto, se eu já me permitisse aconselhar, arriscaria sugerir que quando paredes forem construídas, não devemos contentar-nos apenas em observar o mundo lá fora, pela fresta da janela, é preciso manter as janelas sempre abertas, para que a luz possa entrar, iluminar e aquecer. Para que novos ares possam circular, assim como as pessoas, as inspirações, as surpresas, renovando o que se tem, como deve ser. Que pelas janelas, entre a relação mais pura e sábia, a relação com a vida, grandiosa como ela é.
    Até porque, seria um grande desperdício essas janelas fechadas, com o mundo todo que se tem lá fora. 
     
     
    
    
    
    
   

      
      
      
     


segunda-feira, abril 23, 2012

Saudade que não se mata


Por Nathalia Moraes

    "Bom dia, minha princesa" era assim que ele costumava me acordar, colocava a xícara de café com leite, com mais café que leite - porque faz diferença, e só o dele era assim - na cabeceira da cama, ia abrindo um pouco da cortina, deixando um fio de luz me despertar e alcançava o Joe, meu cachorrinho de pelúcia, que sempre ia parar no chão. 
        Acordei com o cheirinho das nossas manhãs no nariz, do momento que era tão e unicamente nosso, senti sua presença tão forte ali comigo, que por alguns minutos me desliguei da realidade e meu coração ficou quentinho de novo, até abrir os olhos e, bom, há anos meu pai já deixou de me acordar assim, mas sei que se ele ainda estivesse entre nós, continuaria me chamando de "minha princesa", porque ele me dizia isso, que eu seria sempre a princesa do seu castelo, com qualquer idade. Parece poeticamente carregado em exageros e fantasias, mas ele era assim, um poeta da vida, de olhar intenso, e uma doçura quase que infantil, por trás daquela barba com voz gravemente rouca. 
        Sempre que a saudade bate forte assim, eu tento preparar o café com leite, como o que ele fazia, com a tentativa de preencher aquele vazio, em vão, porque mesmo seguindo a medida exata, nunca consigo que fique igual. Não tem o mesmo gosto, nem o mesmo cheiro do "bom dia, minha princesa" de cada manhã. Não tem aqueles primeiros minutos do dia corrido que ele dedicava a mim, mesmo quando ele sabia que o dia seria puxado. Não tem o cenário fantasioso que só se consegue enxergar na infância. 
         E é em cada uma dessas tentativas que eu tento me convencer de que não é todo tipo de saudade que conseguimos matar, já fechei a cara para Deus por isso, mas foi assim que pude compreender que estas são ainda mais especiais, para serem sentidas com carinho, mesmo quando a dor tentar ser maior, serem transformadas em força e mantidas ali com você, sem pressa de acabar, como um presente lindo que alguém que te ama muito te deixou. 
         Talvez seja como quando sentimos saudades de alguém que passou por nossas vidas, mas que conseguimos encontrá-lo, e mesmo que o reencontro seja bom, a saudade não passa, e os encontros podem ser repetidos inúmeras vezes, que a saudade insiste em continuar apertando ali. É quando na verdade, a saudade era dos momentos que ficaram bem guardados em algum lugar do passado, era saudade do que se viveu, do sentido que aquilo fez para você, das sensações que tivera em um outro tempo que não é o agora. 
         Aí então, só nos resta senti-la já que não conseguiremos matá-la, caso contrário, ela deixaria de existir no primeiro gole do café com leite, este que rapidamente deixaria de ser algo tão simples, porém com uma carga de sentimentos lindos e únicos, e consequentemente, deixaria também de ser  o amor em forma de saudade que me aproxima e me leva ao seu encontro, mesmo que em frações de segundos de coração aquecido, nos segundos que eu abro mão de qualquer maturidade e deixo-me ser a sua princesa. 

         
         
         
         
         
         
         
        
        
        

sábado, março 17, 2012

Quem é de verdade sabe...


Por Nathalia Moraes

    Incrível como a gente sente quando alguém é do bem, né? Não é preciso de currículo ou referências, no fundo a gente sabe, e isso fica ainda mais claro em algumas pessoas. Dá para sentir no primeiro sorriso. Gente do bem sorri aberto, sem travas no canto da boca, sorri com transparência, aquele sorriso que só de olhar dá vontade de sorrir junto. Gente de sorriso solto, que sorri para a vida, como quem sorri para uma obra de arte. Gente que não economiza sorrisos, que não precisa de muito para abrir um logo de manhã. A gente sabe quando o sorriso vem de dentro, quando é espontâneo, de bem.
        Gente que sabe valorizar o que realmente deve ser valorizado nessa vida, gente que ama a família a cima de tudo e que não tem vergonha de falar o quanto precisa de cada um deles para seguir, que consegue enxergar o tanto de aprendizado que uma conversa com os avós pode trazer, que não encontramos em nenhum outro momento da vida. Que ainda vê o mundo com olhos de criança, que sabe reconhecer que o grande barato da vida, é estar com quem gosta em algum lugar. Gente simples, de pé no chão, que consegue entender o quanto um banho de cachoeira é capaz de purificar a alma, e que sabe que ali ninguém é melhor que ninguém.
        Gostar de animais, de arte, de músicas que transmitam mensagens positivas, de livros, incensos, céu, mar, sol e uma cervejinha no final da tarde para brindar o pôr do sol. Gente sem frescura, sem preconceito barato, sem futilidade na alma. Gente que gosta de gente, sem divisões ou rótulos. 
        Gente que sonha alto, que sabe que dinheiro é importante, mas que só é bom de verdade se vier acompanhado de paz e tranquilidade. Gente doida, que dança como se ninguém tivesse olhando, que fala o que pensa, espontânea, engraçada, gente de verdade. Gente que é solto no mundo, que voa em liberdade, mas ao mesmo tempo sabe da importância que tem manter firme as raízes. Que busca o que deseja e alcança, que vive os sonhos por saber que temos tão pouco tempo. 
        É desse tipo de gente que eu gosto, gente que vive e acha na vida a maior graça de se viver. Que é assim, não precisa de muito para ser assim... sorrisos e mais sorrisos, feliz apesar de todos os pesares, que sabe brincar, que transborda positividade, gente do bem, que a gente sabe quem é.
         

quarta-feira, março 07, 2012

Ser mulher



Por Nathalia Moraes

    Se me perguntassem hoje o que significa ser mulher, talvez eu não soubesse responder assim com tamanha exatidão, talvez eu tivesse que parar um tempo e pensar, buscar no interior do meu interior uma resposta, se é que há uma, para a imensa confusão de ser mulher. 
       Como traduzir em palavras a beleza de hormônios tão alteráveis? Como listar as milhares de sensações que conseguimos sentir em menos de um minuto?  Como explicar que a doçura e a rispidez podem dar tão certo juntas? Como é ser mulher?
       Ser mulher é ser a princesinha da família mesmo antes de nascer, é carregar essa faixa no peito mesmo preferindo brincadeiras de menino a bonecas de pano, é pegar sapato alto e maquiagem da mãe escondido para brincar de ser mulher. 
       Ser mulher é cuidar, cuidar das bonecas, cuidar dos bichinhos, cuidar de si, cuidar da saia quando senta, cuidar do irmão quando os pais viajam, cuidar dos pais quando precisam ser cuidados.
       Ser mulher é crescer cheia de limitações, é fazer algo que consideramos normal e ouvir "isso é coisa de menino", é escrever cartinha de amigas, é a ansiedade de comprar o primeiro sutiã, é o querer se tornar "mocinha" logo, é achar que vai morrer de amores quando conhece a primeira paixãozinha, é a espera apressada em se tornar mulher.
       Ser mulher é aprender a ser forte, mesmo sendo taxada de sexo frágil, é enfrentar a dor da cólica, conhecer a depilação e a depilação da virilha. 
       Ser mulher é se preocupar com o que os outros vão dizer, e em seguida perceber que não precisa se preocupar com isso se não quiser. É ter vigias em todos os cantos do mundo, é ser apresentada ao ciúmes pelo pai, pelos irmãos ou pelos primos ciumentos. 
       Ser mulher é achar os meninos da mesma idade bobos e desejar os mais velhos, depois achar os mais velhos, velhos e os mais novos interessantes, depois repetir sem parar que são todos iguais. 
       Ser mulher é ver o salão de beleza como segunda casa, é ter de escolher entre "Preguicinha", "Toque de ira", "Santa Gula", "Gabriela", "Gabriele", "Deixa Beijar", "Cintura baixa", "Rosa pink", "Pink flúor", "ou o bom e velho "Renda".
       Ser mulher é receber um convite inesperado e irrecusável em uma segunda-feira desprevenida e conseguir tomar banho, depilar, fazer escova, maquiagem, unha, escolher roupa, trocar de bolsa, trocar de roupa de novo, reclamar que não tem roupa, colocar a primeira, retocar a maquiagem, prender o cabelo, subir no salto, soltar o cabelo, passar perfume, piscar pro espelho e ainda ouvir reclamações de que está atrasada.
       Ser mulher é viver em constante luta. É lutar contra a tpm, lutar contra a balança, lutar contra o telefone, lutar contra o cartão de crédito, lutar contra o sexo no primeiro encontro, lutar contra o futebol do domingo, lutar contra o cabelo e ainda ver luta com o namorado no sábado a noite.
       Ser mulher é chorar em comercial de margarina, chorar porquê ele foi grosso, chorar sem saber porque está chorando, é se irritar com a respiração do outro, é se enxergar com 190kl na frente do espelho, é devorar uma barra de chocolate, é não se aguentar, é ter vontade de matar qualquer um que atravessar seu caminho, é ter amostra grátis de parto e ter de trabalhar assim, é sobreviver a tpm e ainda ouvir que é frescura. 
       Ser mulher é viver por amor, é esperar príncipes encantados em cavalos brancos, é beijar sapos, é encontrar apenas cavalos, é desistir dos príncipes, é se apaixonar no primeiro oi e escrever o sobrenome dele no final do seu para ver se combina, é imaginar todos os detalhes do casamento, e depois de algumas desilusões desistir dessa besteira de casar, até se apaixonar de novo. É imaginar a casa, os filhos, os cachorros, a cor do sofá, e se matar para não demonstrar nada disso. É ter sexto sentido aguçado e imaginação a mil. É ter ciúmes da amiguinha dele mesmo. 
       Ser mulher é mandar noventa SMS e desejar que ele responda todos, rápido. Ser mulher é ficar chateada quando ele esquece a data do primeiro encontro, virtual. Ser mulher é ficar carente as vezes, é desejar sempre mais atenção, e mais um pouquinho. É querer beijo, abraço, carinho sem que precise ter sexo depois. É querer sexo depois e ficar sem jeito de falar. 
       Ser mulher é viver em dúvida, dúvida em roupa, em sapatos, em ligar ou não ligar, em dar ou não dar, em falar ou não falar, em ter atitude ou se fazer de santa, é seguir o coração ou a cabeça, é seguir suas vontades ou se fazer de difícil. Ser mulher é viver em um constante diálogo mental sozinha. 
       Ser mulher é ligar para melhor amiga quando tá mal, quando tá bem, quando não tem nada para fazer, é querer sempre um conselho, aconselhar, é se unir para falar mal dos filhos da puta que não dão valor, comendo brigadeiro, vendo comédia romântica e chorando no final.
       Ser mulher é ser mãe, desde pequena, é entender o significado do amor incondicional, é  amar mais que a si mesma, é ser forte, determinada, guerreira, profissional, é ir a reunião da escola, é ajudar a fazer a tarefa, é preparar sempre um lanchinho, é ser esposa, companheira, ser base, é segurar as pontas quando o tal do sexo forte enfraquece, é estar sempre presente, é insistir na família, é parar de pensar no singular e viver no plural. É ser dona de casa, dona do trabalho, dona da vida. 
       Ser mulher não é fácil, é complicado, é trabalhoso, é confuso, mas apesar de tudo, ser mulher é lindo, é gratificante. Ser mulher é trazer em si a capacidade de deixar tudo mais bonito. 
      Que sejamos mulheres, cada vez mais determinadas, independentes, firmes, donas, respeitáveis, exigentes, mas que nunca deixemos de ser mulheres, que nunca percamos a essência, a feminilidade, o charme, a beleza de ser mulher. Que entendamos que mesmo nos tempos atuais, onde exigimos tanta igualdade, que isso não nos transforme em homens do sexo feminino. Que tenhamos orgulho de ser mulher, com a nossa sensibilidade, com nossas carências, com as nossos choros, com os nossos amores, assim como somos, com jeitinho de mulher. 
     Vamos parar com essa guerra dos sexos mais infantil, já conseguimos mostrar que somos, importantes no mundo, já ocupamos o cargo máximo no país, já queimaram os sutiãs por nós, agora podemos voltar a nos orgulhar de nossas lingeries. Isso não nos tornará menos competentes, não perderemos nada do que conquistamos, continuaremos lutando contra o que vai contra nós, porém não precisamos deixar para trás nossa feminilidade, e todo esse mistério que há no significado de ser mulher. 
     A todas as mulheres, exemplo de mulher, minha homenagem!
       
       
       

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Sorria para o mundo, que ele sorri para você!


Por Nathalia Moraes

      Hoje o meu papo é com você, chega de falar dos outros, eu quero é conversar com você! É, você mesmo que tá lendo essas coisas todas em busca de resposta para alguma pergunta sua, ou em busca de um pouco de fantasia para sua vida louca. Primeiro pode ir tirando esse risquinho franzido da testa como se eu não estivesse falando com você, e trata de abrir logo aquele sorriso que só você tem, vai sorria pra mim! Sorria! Tá vendo, você fica lindo(a) assim!
     Não tá fácil, né? Nem tudo acontece sempre como a gente quer, eu sei bem como é. Esse viagem de trem chamada vida, as vezes passa por caminhos sem muitas flores, sombrios, escuros e por muitas vezes nada felizes, não é assim? É, eu sei como é! Mas pensa comigo, se lá fora já está ruim, pra que piorar as coisas aqui dentro? Se já está sombrio, pra que fazer mais sombra? Se o tempo fechou, pra que fechar a cara? O feio não se cura com mais feio. Se tá escuro, acenda a luz, se tá frio, bote calor, se está doendo, acredite que não... sorria!
      É claro que não encontraremos só flores, ainda teremos muitos espinhos fincados em baixo da unha, e aí você vai fazer o que? Empurrá-lo mais ainda, reclamar que tá doendo ou tirá-lo de uma vez? Fase ruim todo mundo tem, meu bem... e se tem uma coisa que a primeiro momento parece boba, porém muito verdadeira é que passa, pode custar um pouquinho a passar, mas passa.
     Quando cair, e achar que está ruim, pense quantas outras pessoas podem estar em buracos piores que o seu. A vida é boa, rapaz! Confie nisso, mas não da boca pra fora, acredita de verdade, confia. É a primeira coisa que você pode fazer, sem precisar se mexer muito, aproveita e sorri mais uma vez!  
     Gente para te derrubar, para puxar seu tapete, te dar uma rasteira, desejar seu mal, tem aos montes, meu caro. E aí, você vai cair? O mal tá aí, mas não se esqueça que tem o bem para dar e vender também. Experimente desejar o bem até para aqueles que querem sua pele, experimenta e me diz depois. Todo mal que me desejam, eu só desejo conseguir transformar em amor, porque você recebe da vida aquilo que dá a ela. Não é besteira, a coisa é séria. Não deseje o mal a ninguém, não faça mal a ninguém, no futuro isso só volta para você. Viva sua vida o melhor que você puder, ela é passageira, faça o bem e tenha fé.
      Não adianta querer do mundo, aquilo que você não dá a ele... bote uma coisa na sua cabeça de uma vez por todas: Você colhe o que você planta. Tá esperando o que pra plantar o bem, meu bem? Conselho de quem te quer sorrindo. Você acredita mesmo que vai se dar bem pensando mal? Sem fantasias, a vida é mais simples que a gente desenha. É só puxar na memória aquele dia que você acorda de mau humor e seu dia todo vira um caos. Tá vendo, começou errado. Agora cuidado para confundir isso com fingimento, sentimento não se finge, sente. Sinta! Você se torna aquilo que mais pensa e sente. Abra a sua mente, pense positivamente.
      Pare de criticar, não confunda "não gosto" com "é errado". Isso é coisa de gente pequena, com mente fechada, abra. Abre sua mente, seu coração, se abre pro mundo. Livre-se das correntes que te colocaram. Conheça o mundo, ele só é ruim se você enxergá-lo assim. Perdi as contas de quantas vezes li na bíblia "não temas", tá com medo do que então? Quando você se fecha para o mundo, ele se fecha para você. Abra-se... Abrace, descruze esse braço, abrace seu mundo, pinte-o das cores que te alegram. 
     Vista-se para a vida, não para as vitrines. Seja você mesma, não um boneco criado por outras mãos. Seja único, pare de ser igual a todos os outros bonecos. Saiba ser você, tá na hora de se conhecer. Crie seus próprios gostos, tenha a sua personalidade, o seu estilo. Não seja mais um fantoche nas mãos da sociedade. Quem é você? Tem certeza?
      Não aceite tudo o que impõem, abra os olhos, não acredite em tudo que a sociedade diz... em meio a tantos erros, quem pode dizer de quem? Querem controlar, mas estão todos descontrolados. Puxe as rédias da sua vida, não deixe que ninguém guie por você, você tem esse poder. Mais uma vez te peço, abra sua mente, quebre seus preconceitos, experimente conhecer aquilo que você critica sem saber. Pare de criticar. Não cobre dos outros aquilo que nem mesmo você consegue oferecer. Seja justo, com você e com os outros. Diga a verdade, não precisa machucar, a verdade só machuca quando se está acostumado com mentiras, desacostume-se. 
     Você não tem todo o tempo do mundo, não caia nessa de que ainda é cedo, olhe quantos dias você já desperdiçou. A vida é hoje, aqui e agora. O amanhã é desconhecido, única coisa que se sabe é que se você quiser ser feliz lá na frente, tem de ser feliz agora também, senão de que adianta? 
     Ocupe seus pensamentos com coisas que valem a pena, pare de se importar com pequenices. Desapega desse dinheiro, ele pode comprar coisas boas, mas se você não souber lidar com ele, ele te engole. Chega de tanta futilidade, as melhores coisas da vida ainda são de graça, acorda! Você não é melhor que ninguém com mais moedas no bolso. É tanta falta de amor, que ninguém mais se preocupa com o sentimentos dos outros. Tudo é questão de rótulo, aparência, dinheiro...Um sorriso sincero e um brilho no olhar não valem mais nada? Não seja corrompido pelo sistema.
     Descanse mais seus pés, descontraia um pouco esses ombros, para de franzir essa testa, respira, relaxe. Não deixe que a correria da rotina roube de você o que você tem de mais precioso, exija um tempo com você mesma. Olhe para si, converse com você, certifique-se de que está tudo em perfeita harmonia. Não desespere-se se não estiver, busque o equilíbrio, ele te fará falta em várias situações. 
     Acredite em você, o universo é você. Quer ver? Quem criou o universo? Deus... no meio da palavra Deus, podemos encontrar a palavra EU. Quer mais o que? Você pode, você consegue, você comanda o seu universo. Você não imagina o poder que tem em suas mãos. Seja a mudança que você quer ver. Comece de alguma forma, dê o primeiro passo, nem que seja sorrindo mais uma vez para mim. Sorria! Sorria para o mundo, que ele sorri para você.